Carnavalização e grotesco na minissérie Amorteamo

uma análise das produções de sentido

  • Maria Cristina Palma Mungioli Universidade de São Paulo, São Paulo, São Paulo, Brasil
  • Anderson Lopes da Silva Universidade de São Paulo, São Paulo, São Paulo, Brasil https://orcid.org/0000-0002-4865-4201
Palavras-chave: Produção de sentido. Carnavalização e grotesco. Ficção televisiva. Minissérie Amorteamo.

Resumo

O artigo apresenta uma análise do discurso verbo-visual da minissérie brasileira Amorteamo com o objetivo de estudar os sentidos produzidos pela materialidade audiovisual e suas relações dialógicas na diegese. A discussão se baseia nos estudos de linguagem de Bakhtin e na Análise de Imagens em Movimento de Diana Rose. Por meio da análise emergem o grotesco e a cosmovisão carnavalesca como eixo articulador do discurso verbo-visual da vinheta, da construção de personagens e das sequências cênicas. Os resultados apontam não apenas para hibridização de gêneros, mas também sugerem tensionamentos entre os regimes de criação estética tidos como hegemônicos e o popular massivo.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Maria Cristina Palma Mungioli, Universidade de São Paulo, São Paulo, São Paulo, Brasil

Doutora em Comunicação pelo Programa de Pós- Graduação em Ciências da Comunicação da Escola de Comunicações e Artes da USP. Professora da Escola de Comunicações e Artes da Universidade São Paulo. Estágio Pós-doutoral na Université Sorbonne Nouvelle, Paris 3, França. Coordenadora do Grupo de Pesquisa Linguagens e Discursos nos Meios de Comunicação – GELiDis/USP.

Anderson Lopes da Silva, Universidade de São Paulo, São Paulo, São Paulo, Brasil

Doutorando pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Membro do Grupo de Pesquisa Linguagens e Discursos nos Meios de Comunicação – GELiDis/USP, e do Núcleo de Estudos em Ficção Seriada e Audiovisualidades – NEFICS da Universidade Federal do Paraná. Bolsista Capes.

Referências

APPADURAI, Arjun. Disjuncture and Difference in the Global Cultural Economy. Theory, Culture & Society, v. 7, n. 2, 1990; pp. 295-310.

______. Dimensões culturais da globalização: a modernidade sem peias. Lisboa: Editorial Teorema, 2004.

BALOGH, Anna Maria. Minisséries: la créme de la créme da ficção na TV. Revista USP, São Paulo, n. 61, p. 94-101,mar./maio 2004. Disponível em: < http://migre.me/sNPCP>. Acesso em: 25 jan.. 2016.

BAKHTIN, Mikhail. (VOLOCHINOV). Marxismo e filosofia da linguagem. São Paulo: Hucitec, 1988.

BAKHTIN, Mikhail. Estética da criação verbal. São Paulo: Martins Fontes, 2003.

______. Problemas da poética de Dostoiévski. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2005.

______. A cultura popular a Idade Média e no Renascimento: o contexto de François Rabelais. São Paulo: Hucitec, 2008.

BAKHTIN, Mikhail. Questões de literatura e estética: a teoria do romance. São Paulo: Hucitec, 2010.

BAUMAN, Zygmut. On Glocalization: or Global for some, Localization for others. Thesis Eleven, n. 54, ago./1998. Disponível em: <http://migre.me/w3LYW>. Acesso em: 10 fev. 2017.

BRAIT, Beth. Bakhtin e a natureza constitutivamente dialógica da linguagem. In: _____. Bakhtin: dialogismo e construção de sentido. 2ª ed. Campinas: Ed. Unicamp, 2005, p. 87-98.

BURKE, Peter. Cultura Popular na Idade Moderna. Trad. Denise Bottmann. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.

BUTLER, Jeremy. Televison Style. New York & London: Routledge, 2013.

CZACHESZ, Istvan. The Grotesque Body in Early Christian Discourse: hell, scatology, and metaphormosis. New York: Routledge, 2014.

DE CERTEAU, Michel. A invenção do cotidiano. 1. Artes do fazer. Petrópolis, RJ: Vozes, 2007.

DISCINI, Norma. Carnavalização. In: BRAIT, Beth. (Org.). Bakhtin: outros conceitos-chave. São Paulo: Contexto, 2008, p. 53-93.

FIORIN, José L. Introdução ao pensamento de Bakhtin. São Paulo: Ática, 2006.

GARCÍA MARTINEZ, Alberto. N. Prozac para zombies. La sentimentalización contemporánea del muerto viviente en la televisión, 2015, não publicado – em processo de revisão à revista Brumal, v. 3, n.2.

GENETTE, Gerard. Discurso da narrativa. 3ª ed. Lisboa: Vega, 1995.

KRISTEVA, Julia. Introdução à semanálise. São Paulo, Perspectiva, [1968] 1974.

______. Powers of horror: an essay of abjection. Nova York: Columbia University Press, 1985.

LaCAPRA, Dominick. Bakhtin, o marxismo e o carnavalesco. In: RIBEIRO, A. P. G.; SACRAMENTO, Igor. (Orgs.). Mikhail Bakhtin: linguagem, cultura e mídia. São Carlos: Pedro & João Editores, 2010. p. 149-184.

MEMÓRIA GLOBO. Amorteamo: o melodrama sobrenatural conta a história de dois triângulos amorosos, 2015. Disponível em: <http://migre.me/ryQ1T>. Acesso em: 18 set. 2015.

MINOIS, George. História do riso e do escárnio. São Paulo: Ed. Unesp, 2003.

MORSON, Gary S., EMERSON, Caryl. (Trad. Antonio de Pádua Danesi). Mikhail Bakhtin: criação de uma prosaística. São Paulo: Edusp, 2008.

MUNGIOLI, Maria C. Palma. Minissérie Grande Sertão Veredas: Gêneros e Temas - Construindo um Sentido Identitário de Nação. 2006. Tese (Doutorado em Ciências da Comunicação) – Universidade de São Paulo, São Paulo. Disponível em: < http://migre.me/sMe2Y>. Acesso em: 20 jan. 2016.

ORLANDI, Eni P. Análise de discurso: princípios e procedimentos. Campinas: Pontes, 2005, 6ªed.

PAIVA, Cláudio C. As minisséries brasileiras: irradiações da latinidade na cultura global. BOCC – Biblioteca On-line de Ciências da Comunicação. Covilhã, Portugal: Labcom, Universidade Beira Interior, 2007. Disponível em: < http://migre.me/sNGtc>. Acesso em: 25 jan. 2016.

RÉGIS, Maria Helena Camargo. A carnavalização em “Incidente em Antares”. Travessia – Revista de Literatura Brasileira, n. 02, 1981, p. 19-22. Disponível em: <https://periodicos.ufsc.br/index.php/travessia/article/view/18094/17011>. Acesso em: 25 jan. 2016.

ROSE, Diana. Análise de imagens em movimento. In: BAUER, M. W; GASKELL, G. (Org.). Pesquisa qualitativa com texto, imagem e som: manual prático. Petrópolis: Vozes, 2002.

SACRAMENTO, Igor. A carnavalização na teledramaturgia de Dias Gomes: a presença do realismo grotesco na modernização da telenovela. Revista Brasileira de Ciências de Comunicação – Intercom, v. 37, n. 1, p. 155-174, jan./jun. 2014.

SEPULCHRE, Sarah. Personnage en série. In: _____. (dir.) Décoder les séries télévisées. Éditions De Boeck: Bruxelles, 2011.

SOBRAL, Adail. Ato/atividade e evento. In: BRAIT, Beth (2005). Bakhtin: conceitos-chave. São Paulo: Contexto. pp. 11-36.

SODRÉ, Muniz.; PAIVA, Raquel. O império do grotesco. Rio de Janeiro, Mauad, 2002.

VEREVIS, Constantine. Redefining the Sequel. The Case of the (Living) Dead. In: JESS-COOKE, Carolyn; VEREVIS, Constantine. (eds.). Second Takes: Critical Approaches to the Film Sequel. Albany: SUNY Press, 2010, pp.11-30.

TODOROV, Tzvetan. Introdução à literatura fantástica. São Paulo: Perspectiva, 1975.
Publicado
08-04-2020
Como Citar
Mungioli, M. C. P., & Lopes da Silva, A. (2020). Carnavalização e grotesco na minissérie Amorteamo: uma análise das produções de sentido. E-Compós, 23. https://doi.org/10.30962/ec.1862
Seção
Artigos Originais