A aranha e o pensamento tentacular em Haraway

fundamentos para uma episteme feminina da comunicação

Autores

DOI:

https://doi.org/10.30962/e-comps.3410

Palavras-chave:

Comunicação, Pensamento tentacular, Epistemologia, Feminino, Donna Haraway

Resumo

Propomos uma episteme baseada no pensamento tentacular para pensar a comunicacão, desafiando a lógica de dominação masculina e o excepcionalismo humano do Antropoceno. Através de um “anti-método” de circulação aberta, a biologia das aranhas e a arte da tecelagem propõem conceber a vida como um emaranhado de linhas e parentescos multiespécies e não como sistemas isolados. Ao resgatar potências ctônicas e ancestrais, salientamos a confluência de múltiplas relações de aliança, práticas de cuidado e simpoiese como estratégias para habitar um mundo danificado. O resultado aponta para um potencial de transição para um tempo que exige cuidar dos vínculos que sustentam coletivamente a vida.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Carolina Santos da Cunha, Universidade Católica de Brasília, Brasília, Distrito Federal, Brasil

Mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Inovação em Comunicação e Economia Criativa da Universidade Católica de Brasília (PPGICEC-UCB).

Florence Dravet, Universidade Católica de Brasília, Brasília, Distrito Federal, Brasil

Doutora em Didactologia das Línguas e Culturas pela Universidade de Paris 3 – Sorbonne Nouvelle, Paris, França. Docente do Programa de Pós-Graduação em Inovação em Comunicação e Economia Criativa da Universidade Católica de Brasília (PPGICEC-UCB).

Referências

ARAÚJO, André; SILVA E SILVA, Fernando. Ficção científica e fabulação maquínica. In: MADARASZ, Norman R.; COSTA, André Luiz (org.). Deleuze-Guattari: a escrita e a literatura na imanência da velocidade. Curitiba: Editora Fi, 2018. p. 75–103.

BONNEUIL, Christophe; FRESSOZ, Jean-Baptiste. O acontecimento Antropoceno: a Terra, a história e nós. São Paulo: Quina Editora; Campinas: Editora da Unicamp, 2024.

COCCIA, Emanuele. La vie des plantes: Une métaphysique du mélange. Paris: Payot & Rivages Poche, 2023.

CRUTZEN, P.J. Geology of mankind, Nature, v.415, n 6867, p. 23, 2002.

DE LA CADENA, Marisol 2021. Not knowing: In the presence of …. In: Experimenting with Ethnography: A Companion to Analysis, edited by Andrea Ballestero and Brit Ross Winthereik. Durham: Duke University Press, 246–256.

DURAND, Gilbert. As estruturas antropológicas do imaginário: introdução à arquetipologia geral. 4.ed. São Paulo: Martins Fontes, 2012.

DRAVET, Florence. Exu, o andrógino canibal: aproximações entre mitologia e imaginário antropófago brasileiro para pensar alteridade. Revista FAMECOS, [S. l.], v. 25, n. 2, 2018. https://doi.org/10.15448/1980-3729.2018.2.27839.

HARAWAY, Donna. O manifesto das espécies companheiras: Cachorro, pessoas e alteridades significativas. Tradução: Pê Moreira. Rio de Janeiro. Bazar do tempo, 2021.

HARAWAY, Donna. Ficar com o problema: fazer parentes no Chthuluceno. Tradução: Ana Luiza Braga. São Paulo: n-1 edições, 2023.

INGOLD, Tim. Lines: a brief history. London: Routledge, 2007.

JUNG, Carl Gustav. Os arquétipos e o inconsciente coletivo. Tradução Maria Luíza Appy, Dora Mariana R. Ferreira da Silva. Petrópolis, Rio de Janeiro: Vozes, 2000.

KRENAK, Ailton. Futuro ancestral. 1. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2022.

LATOUR, Bruno. Jamais fomos modernos: ensaio de antropologia simétrica. Tradução de Carlos Irineu da Costa. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1994.

LE GUIN, Ursula K. 1989. The carrier bag of fiction. In: LE GUIN, Ursula K. Dancing at the edge of the world: thoughts on words, women, places. New York: Grove Press, 1989. p.165-170.

LOVECRAFT, H. P. O chamado de Cthulhu e outras histórias. Tradução e organização: Guilherme da Silva Braga. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.

MATURANA, Humberto R.; VARELA, Francisco J. De máquinas e seres vivos: autopoiese - a organização do vivo. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997.

MERCHANT, Carolyn. The death of Nature; women, ecology and the scientific revolution. San. Francisco: Harper and. Row. 1980.

MORIN, Edgar. O Método 1. A natureza da natureza. 3. ed. Trad. Maria Gabriela de Bragança. Portugal: Publicações Europa-América Lda., 1997.

MORIN, Edgar. Introdução ao pensamento complexo. Porto Alegre: Sulina, 2005.

MORIN, Edgar. Cultura de massas no século XX: O espírito do tempo 1 e 2. 11. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2018.

MOORE, Jason W. Antropoceno ou Capitaloceno? Natureza, história e a crise do capitalismo. São Paulo: Editora Elefante, 2022.

OVÍDIO; Bocage, Manuel Maria Barbosa du (Trad.); Oliva Neto, J. A. (Org.) Metamorfoses. 2. ed. São Paulo: Hedra, 2007. v. 1.

POVINELLI, Elizabeth A. Catástrofe ancestral: existências no liberalismo tardio. Tradução de M. Lima e M. Ruggieri. São Paulo: Ubu Editora, 2024

TUPINAMBÁ, Glicéria; FERNANDES ALARCÓN, Daniela. Trazendo o manto de volta: fortalecimento cultural entre os Tupinambá no Brasil. Penn Global/DIA, 2022. Disponível em: https://dia.upenn.edu/pt/content/Fernandes-AlarconD001/

UEXKÜLL, Jakob von. Dos animais e dos homens. 1. ed. Lisboa: Livros do Brasil, 1982. (Coleção Vida e Cultura).

Downloads

Publicado

12-06-2026

Como Citar

Santos da Cunha, C., & Dravet, F. (2026). A aranha e o pensamento tentacular em Haraway: fundamentos para uma episteme feminina da comunicação. E-Compós. https://doi.org/10.30962/e-comps.3410

Edição

Seção

Ahead of Print